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Soft Skills 16 ago 2026 · 8 min de leitura

5 erros que podem estar te tirando da vaga de tecnologia

Candidatos tecnicamente preparados perdem vagas sem conseguir mostrar o que sabem, e os cinco erros que mais vejo se repetirem nas entrevistas técnicas que conduzo têm bem mais a ver com a condução da conversa do que com conteúdo.

Fabrício Augusto
Fabrício Augusto
+10 anos de carreira em tech · Líder técnico
Capa do artigo 5 erros que podem estar te tirando da vaga de tecnologia

Ao longo da minha carreira como desenvolvedor/líder de equipes de tecnologia, já conduzi muitas entrevistas técnicas e, nesse tempo, fui percebendo um padrão que se repete com uma frequência que me incomoda: a pessoa domina o assunto e mesmo assim sai da sala sem que ninguém tenha se dado conta disso. O conhecimento técnico está lá, só que fica preso atrás de uma resposta enrolada, de uma apresentação pessoal de dez minutos ou de um “já trabalhei com isso” que não se sustenta na pergunta seguinte, e a vaga acaba ficando com alguém que talvez saiba menos, mas que consegue mostrar com clareza o que sabe. Ninguém do outro lado da mesa ganha nada recusando um bom profissional, porque, se esse preparo tivesse aparecido durante a conversa, a contratação teria sido a parte fácil do meu dia.

Nada disso é um convite para fingir ser quem você não é, até porque uma entrevista nunca avalia apenas o que você sabe: junto do conteúdo, ela mede como você o comunica, como se posiciona diante de um problema e o que faz quando esbarra em algo que desconhece. É justamente nesses três pontos que vejo bons candidatos tropeçarem, e a boa notícia é que nenhum deles exige conhecimento técnico novo para ser corrigido.

Reuni aqui os erros mais recorrentes que observo nessas conversas, com um objetivo bem específico: evitar que o seu preparo técnico se perca no caminho por causa da forma como você conduz a entrevista. Antes de entrar neles, porém, vale um mapa rápido de como um processo seletivo costuma se desenhar, porque isso ajuda a enxergar em que momento cada um deles pesa mais.

Como funciona (normalmente) um processo seletivo

Na maioria das empresas o processo tem pelo menos duas etapas, e a primeira delas é a conversa com o recrutador, um bate-papo mais leve que serve para entender o seu perfil, a sua trajetória e a sua compatibilidade com a cultura da empresa. Dificilmente alguém é eliminado só ali, porque essa etapa funciona bem mais como alinhamento do que como filtro.

A segunda é a entrevista técnica, e é ela que costuma decidir quem avança. É onde eu mais atuo e também onde os erros que vou listar aparecem com mais clareza, embora valha notar que, quando um candidato os comete ali, quase sempre ele já os vinha cometendo desde a primeira conversa, só que de uma forma menos perceptível.

Antes de seguir, um adendo: o que descrevo aqui é a minha leitura, construída a partir da experiência de quem senta do outro lado da mesa, e não uma regra universal, ainda que eu desconfie que boa parte de quem entrevista assinaria embaixo.

Erro 1: não ser honesto durante a entrevista

Começo pelo mais óbvio, que segue sendo um dos mais comuns: inflar habilidades, inventar experiências que não aconteceram ou sustentar que você domina algo de que apenas ouviu falar. O problema da mentira é que ela tem prazo de validade, e ele costuma vencer cedo, às vezes ainda na própria entrevista, quando o entrevistador aprofunda a pergunta e a resposta não se sustenta, e às vezes depois, já dentro da empresa, quando o trabalho cobra exatamente aquilo que você afirmou saber fazer. Esse segundo cenário é, de longe, o mais desconfortável dos dois.

A alternativa é mais simples do que parece, porque basta dizer que não sabe e completar dizendo que está disposto a aprender, e é essa segunda metade da frase que muda por inteiro a percepção de quem está ouvindo. Ninguém espera que você domine tudo, até porque todo profissional tem lacunas, quase sempre por nunca ter tido a oportunidade de trabalhar com determinado contexto ou determinada tecnologia. Quando você transforma um “eu não sei” em “eu não sei, mas quero aprender”, converte o que seria um ponto fraco em um sinal de maturidade, e isso pesa muito mais na avaliação do que qualquer resposta remendada.

Erro 2: não pesquisar sobre a empresa

Isoladamente, esse erro talvez não seja suficiente para eliminar você, mas se do outro lado houver um candidato que tenha feito esse dever de casa, a vaga provavelmente será dele. O raciocínio por trás disso é bastante direto, já que empresas contratam pessoas para resolver problemas, e sem saber qual é o contexto da empresa, que desafio ela enfrenta e onde a vaga se encaixa nesse cenário, você acaba tendo uma entrevista genérica, em que responde bem a perguntas técnicas soltas, mas não consegue ligar o que sabe a um problema concreto daquele lugar.

Entender o produto, o mercado em que a empresa atua e os desafios prováveis do momento te dá repertório para trazer isso durante a conversa, e é um diferencial relativamente barato de conquistar, porque a maioria dos candidatos ainda se limita a responder aquilo que foi perguntado.

Erro 3: não saber fazer uma apresentação pessoal

Esse erro tem duas faces e as duas atrapalham, porque de um lado está quem é seco demais e não consegue se vender, e de outro quem transforma a apresentação em autobiografia, começando no primeiro emprego e passando por detalhes que não têm nenhuma relação com a vaga em questão. A segunda face é mais comum do que parece, e já assisti a apresentações pessoais que passaram dos dez minutos quando cinco seriam generosos.

O custo disso não é apenas o cansaço de quem ouve, porque você está gastando um tempo escasso que o entrevistador usaria para perguntar aquilo que de fato importa para a decisão dele, e quanto mais você fala sobre si mesmo sem foco, menos espaço sobra justamente para os pontos em que poderia se destacar. A saída é preparar um roteiro antes e tratar a apresentação como um pitch, curto e direto, reunindo os pontos da sua trajetória que conversam com aquela vaga e, se possível, amarrando tudo ao que você pesquisou sobre a empresa, que é o erro anterior virando vantagem.

Erro 4: ser prolixo nas respostas técnicas

Esse é o erro anterior aplicado ao resto da entrevista, e aparece quando uma pergunta específica é respondida com um texto longo, cheio de rodeios, que às vezes nem chega ao ponto. Na maior parte das vezes a pessoa está tentando parecer mais segura do que se sente, e o efeito acaba sendo exatamente o oposto.

Vale reforçar que, na maioria das perguntas técnicas de entrevista, não existe uma resposta certa fixa, porque quem entrevista quer acompanhar o seu raciocínio em vez de conferir um gabarito, e é por isso que enrolar não esconde que você não sabe, apenas deixa isso mais evidente. O melhor caminho é responder com clareza quando souber e dizer que não sabe quando for o caso, exatamente como no primeiro erro, porque mesmo que você não avance nessa vaga específica, sai da conversa sabendo exatamente o que estudar para a próxima. Nada disso quer dizer que toda resposta precise ser curta, já que há perguntas que pedem desenvolvimento, e a diferença está entre uma resposta longa porque o assunto pede isso e uma resposta longa porque você está ganhando tempo.

Erro 5: não ter perguntas para o entrevistador

Esse erro se conecta ao segundo, mas cobra o preço em outro momento, que é a hora em que a palavra finalmente passa para você. Muita gente não tem nenhuma pergunta e simplesmente encerra depois de responder o que lhe perguntaram, e o recado que fica, mesmo sem nenhuma intenção, é de desinteresse.

Perguntar sobre a empresa, sobre o time e sobre os desafios da posição mostra que você também está avaliando aquela oportunidade, em vez de apenas colecionar mais um processo seletivo, e ainda que existam informações confidenciais que o entrevistador não vai poder compartilhar, isso nunca foi motivo para não perguntar nada. Entre dois candidatos tecnicamente equivalentes, aquele que demonstrou interesse genuíno costuma levar a vaga, porque a meta não é apenas parecer uma pessoa interessada na empresa, e sim ser uma pessoa interessante para ela.

Dois erros bônus que também custam caro

O primeiro é falar mal de empresas anteriores. Mesmo que a experiência tenha sido ruim e a sua indignação seja completamente legítima, a entrevista não é o lugar para isso, porque o entrevistador não tem como julgar quem tinha razão naquela história, e o pensamento que sobra costuma ser o de que quem fala assim da empresa anterior um dia falará assim da atual. É perfeitamente possível relatar experiências passadas de forma neutra, sem precisar atacar pessoas ou empregadores.

O segundo é não ter nenhuma referência de pretensão salarial. Mesmo que essa seja a sua primeira oportunidade na área, vale pesquisar as faixas praticadas no mercado e conversar com quem já atua na função, porque chegar sem nenhum número quando a pergunta aparece passa a impressão de falta de preparo e ainda enfraquece a sua negociação.

O que levar para a próxima entrevista

Nenhum entrevistador entra na sala querendo eliminar candidatos, já que o objetivo de quem está do outro lado é encontrar a pessoa certa o quanto antes, sem precisar recomeçar o processo várias vezes, mas essa conta tem duas partes e a sua é chegar preparado para além do conteúdo técnico. Se você reparar, os cinco erros têm algo em comum: nenhum deles se corrige com senioridade nem com mais uma certificação, e sim com preparo e autoconsciência, o que faz deles justamente a parte do processo sobre a qual você tem mais controle.

Antes da sua próxima entrevista, vale escrever um roteiro de apresentação de até cinco minutos, pesquisar a empresa e anotar o que descobrir, preparar três perguntas para fazer ao entrevistador e treinar respostas objetivas para as dúvidas técnicas mais frequentes da sua área. São ajustes pequenos de comportamento, mas costumam ser exatamente o que separa você da próxima oportunidade.

Fabrício Augusto
// escrito por
Fabrício Augusto

Formado em Sistemas de Informação, +10 anos de carreira e liderança técnica. Ensina programação de forma prática e acessível pra quem está começando.

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